sexta-feira, 10 de maio de 2013

fantasia ou realidade... a promessa quebrada! (parte I)

Tinha sido um dia estafante, daqueles em que necessitava mesmo de relaxar, e nada como um bom banho para me deixar em ponto de slow motion. Saí calmamente do trabalho com intenção de me dirigir a casa, abri a porta do carro, atirei a carteira para o fundo do chamado lugar do morto, sentei-me, liguei o CD enfiado no leitor, passava Painted on my Heart dos The Cult, cantarolei a letra enquanto dava algumas voltas pela cidade embrenhada no trânsito, como adoro segurar o volante nas mãos e testar a rapidez com que faço um percurso que tão bem conheço, deixando os outros presos no vermelho dos semáforos de controle de velocidade, enquanto eu passo a rasar o amarelo. Resolvi dar mais umas voltas ao som da música, e deixar a mente voar ao teu encontro, alguém que teimava em esconder-se atrás da voz, e das palavras do outro lado do ecran, seria desta vez que o encontro aconteceria... Sorri, de mãos pregadas no volante respondia mecânicamente de forma a fazer o carro serpentear o trânsito quase de forma mágica... o dia já ia adiantado, a luz do dia estava a desaparecer, a vontade de cozinhar tinha desaparecido, resolvi então parar num pequeno restaurante, acolhedor e simples, onde se come uma comida caseira feita pelas mãos da própria dona. Entrei, olhei para o salão, estava quase vazio, à excepção de um grupo de 3 homens com ar de executivos que comiam um petisco, umas moelas envoltas num molho que tão bem conhecia, mas não, não era o que me apetecia. Do outro lado estava uma senhora que desesperadamente tentava segurar a miúda na cadeira enquanto aguardavam o que eventualmente tinham pedido. Ao fundo, de forma isolada um vulto masculino, alto, meio escondido na penumbra de um canto, tinha aspecto de rondar os trinta e poucos anos, trajava um fato formal, mas sem gravata, num tom entre o pastel e o castanho, com camisa bordeaux. Escolhi uma mesa encostada à janela, gosto de deixar o olhar perder-se no horizonte da rua, onde as caras desconhecidas caminham para casa apressadas. Afundei-me na cadeira, e fiz sinal à empregada de mesa. Perguntei com ar de quem não pretendia ficar ali mais tempo do que o necessário para alimentar o corpo, o que estava a sair assim mais rápido?... Disse dois ou três pratos aos quais nem prestei atenção, mas fixei-me no bacalhau com natas, um dos pratos que naquele restaurante deixa na boca a vontade de comer sempre mais, quebrando a dieta redondamente, mas fazendo o gosto à gula de uma forma ímpar. Continuei a olhar o restinho dos raios de sol que iam desaparecendo, dando lugar às sombras desenhadas no chão pelas luzes dos candeeiros. E foi quando um leve tremer do telemóvel me acordou do meu alheamento e me relembrou da tua presença, do nosso acordo pós jantar, beberíamos um copo e depois... a noite nunca faz promessas a ninguém, mas mais uma vez a tua mensagem indicava que afinal ficaste retido no trabalho e não tinhas a hipótese de vir ter comigo. Uma leve tristeza trespassou o meu olhar... entretanto, a empregada já me tinha servido o bacalhau que vinha numa travessa de barro, decorado com meia dúzia de gambas... só de olhar já me crescia água na boca. Servi-me de meia dose, e cada garfada escorregava deliciosamente em direcção ao estômago, deixando um rasto de deleite na ânsia da seguinte... Durante algum tempo mantive-me absorta na refeição que degustava, olho para o canto, e os meus olhos cruzam-se levemente com os do estranho, escuros, profundos, e ao mesmo tempo misteriosos. Parecia esperar alguém ou ter algo marcado pela forma ansiosa com que olhava o relógio. Em cima da mesa apenas um Dry Martini quase bebido e um pires de salgados, quase desaparecidos... Conseguia sentir aquele olhar na minha pessoa como que analisando cada pormenor, cada curva desenhada pelo tailleur justo cinza escuro que envergava, misturado na camisa beije, conseguindo desconcentrar-me da minha tão deliciosa refeição. E mais um cruzar de olhos, que vertiginosamente descem e pousam nas pernas torneadas que a racha frontal da saia deixava ver, realçadas pelos saltos altos dos sapatos pretos. Uma nova mensagem tua a desculpar-se mais uma vez, desejando-me uma excelente noite... e enquanto lia e te respondia desejando-te o mesmo, o estranho paga a conta e sai, sem deixar rasto. Olhei em volta discretamente mas já tinha ido... Terminava o bacalhau, e desejava agora regressar a casa, para me deliciar com um bom banho. Ao pedir a conta, a empregada diz que estava paga e entrega-me um bilhete com o seguinte: "apenas dois minutos... " e um número de telefone. Pensei, que raio significava aquilo... meti o bilhete na carteira e sai porta fora.

8 comentários:

Soul disse...

Quiça os "2 minutos" não te esperavam lá fora...

Aguardo a continuação!

Beijos :*

Sil disse...

Há momentos de "2 minutos" que valem por uma eternidade.
:)

Luna disse...

Soul,
Nunca se sabe o que vem a seguir!
;)







Beijo

Luna disse...

Sil,
Completamente de acordo!









Beijo

O Sussurrar do Corpo disse...

esperando o desfeixo...um sussurro

Luna disse...

O sussurrar do corpo,
Um dia destes...
:)

Bia disse...

dois minutos que certamente prometem...

Bom fim-de-semana

Luna disse...

Bia,
Vamos ver onde chega a promessa...
Who knows???










Que tenha sido bom fds
Beijos