sábado, 17 de setembro de 2011

Fantasia ou realidade?... a rendição


Era ainda primavera... mas a noite tinha uma brisa quente como numa noite de verão. Vesti uma saia preta por cima do joelho, esvoaçante e um cai cai branco, justo, delineando cada curva por debaixo de um casaco simples de malha preto. Teus olhos negros olhavam-me como se fosse a primeira vez... incendiados de desejo hipnotizavam-me não deixando que os meus se desviassem um milímetro, bailando entre a vontade e o desejo do toque, das caricias, do incendiar das entranhas mais profundas pelo tempo que demorei a render-me a ti, e o pecado do não dever ser... As palavras foram mais que muitas nos meus ouvidos durante demasiado tempo... provocando, inflamando e aumentando a volúpia que na imaginação revolviam a alma e o corpo pedindo alimento. E naquele dia não havia mais volta atrás e parei de resistir-te, mas principalmente parei de resistir a mim mesma. Sentei-me no teu colo, depois de te livrares das calças, para libertar o que se encontrava preso. Os teus dedos percorriam cada centímetro admirado pelo teu olhar profundo, inquieto, ansioso... e no seguimento desses dedos atrevidos, a boca rapidamente ganhou terreno nesta vasta planície que agora te pertencia, por longos e saboreados minutos, num degustar lento, sentido... os meus dedos deixaram de se conter, e num rasgo de paixão extrema, cobriam de carinhos cada pedaço dessa pele morena, macia como a pele de um menino, embriagando-me nessa vontade irresistível de te amar eternamente... E por minutos, os nossos corpos se fundiram no espaço e se entregaram às almas em chamas, consumidas pelas labaredas desse querer tão profundo, como foi o nosso!... As minhas mãos, a minha boca, o meu corpo... toda eu me rendia ternamente às tuas mãos, à tua boca, ao teu corpo que sofregamente me fazia vibrar vezes seguidas, numa entrada quase irreal no paraíso, alternando entre o passear da tua língua pelo meu pescoço, em beijos arrepiantes,  e os beijos ávidos da tua boca explorando a minha, com que me presenteavas no entremeio desse deslizar de língua que subia ao lóbulo da orelha... A intensidade dos gemidos aumentava, os cheiros se misturavam, o suor escorria pelos corpos, conjugada com a força com as tuas mãos me apartavam a ti num entra e sai suave, enquanto as minhas mãos, te agarravam o rabo para te sentir mais junto, mais dentro, mais dono de mim... E fomos um do outro... naqueles segundos... eternos, que seriam só nossos, e seriam os primeiros e os últimos de uma entrega proibida, escrita na ilusão!...

4 comentários:

Orquídea Selvagem disse...

Lindo!!
Quando as palavras são sentidas vibram de um modo especial... queimam por onde passam, deixam marcas!
E aposto que estas te "queimaram" inteira!

Fantasia ou realidade? Isso pouco importa porque a fronteira é muitas vezes ténue demais.

Gostei de te ler, assim rendida... e do mesmo modo me deixaste rendida à tua escrita.


Beijinhos :)

Me disse...

Orquidea,
Agora quem se rendeu fui eu ao teu comentário! Obrigado pela gentileza!

Realidade e fantasia, a distância entre elas é pura ficção... daí o título desta etiqueta (tem mais para trás)


As palavras são sempre profundas quando dentro de nós vive(u) algo que nos inspira...


Beijos :))

Orquídea Selvagem disse...

Me, não te estás a esquecer de que o caminho faz-se a olhar para a frente e não para trás... pois não??
Ou estás??

Me disse...

Orquidea,
Sempre a olhar parar frente! Não vá eu tropeçar em algo que não deva!

Esta etiqueta são contos, e só... agora se têm ou não base de verdade também não vou revelar, retirava o encanto todo! ;)

Beijos :)